domingo, 22 de março de 2009

Rádio cognitivo quebra paradigma das estações e otimiza uso das frequências

Na ocorrência de desastres, inúmeros esquemas de alarmes e comunicações de emergência podem ser acionados, alguns de forma automática. Até os automóveis logo poderão contar com sistemas de aviso automático em caso de acidentes.
Mas o que aconteceria se a própria rede de comunicações for afetada pelo desastre? Ou mesmo se ela ficar sobrecarregada justamente pelo excesso de comunicações que ocorrem em situações como essas?

Rádio que aprende

A saída, segundo um pesquisador da Universidade de Twente, na Holanda, está na construção de um "rádio cognitivo," um sistema sem fios capaz de reorganizar autonomamente uma rede de comunicações, inclusive ocupando regiões livres de outras faixas do espectro eletromagnético.
O rádio cognitivo, desenvolvido pelo pesquisador Qiwei Zhang, consegue identificar todas as necessidades de transmissão e as possibilidades de recepção na sua região e utilizar todo o potencial dessa largura de banda.
É possível até mesmo construir uma rede ad hoc sem que a infraestrutura básica esteja presente. Equipamentos móveis, por exemplo, passam a formar nós de uma rede temporária, retransmitindo as informações uns para os outros até que ela chegue ao seu destino.

Bandas e estações de rádio

Em vez da divisão das bandas de rádio em estações com frequências definidas, o enfoque do rádio cognitivo tenta usar o espectro eletromagnético da forma mais intensa possível, sem perturbar as estações em operação. A frequência a ser usada pode até mesmo ser tomada emprestada temporariamente de outras bandas.
O processo de localizar frequências não utilizadas é altamente intensivo em processamento. Segundo Zhang, o problema pode ser bem resolvido com o processador reconfigurável Montium - o nome se refere a um camaleão que adapta sua coloração ao meio ambiente - que foi desenvolvido na mesma Universidade.
Zhang também desenvolveu os algoritmos necessários para adaptar os sinais transmitidos para as condições locais e para evitar interferências indesejáveis entre os usuários.

Mudanças na legislação

Segundo o pesquisador, as aplicações do rádio cognitivo não se restringem às situações de emergência. No futuro, o enfoque poderá funcionar em qualquer spot de rede sem fios que esteja sujeita a sobrecargas. Isso, contudo, exigirá alterações no aparato legal que controla o uso das bandas de frequência de rádio, uma vez que o espectro é dividido em bandas e estações em todo o mundo, e o rádio cognitivo utiliza uma abordagem radicalmente diferente.

Fonte: Inovação Tecnológica

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