domingo, 6 de junho de 2010

Zoológico cósmico é fotografado na Grande Nuvem de Magalhães



Esta parte da Grande Nuvem de Magalhães encontra-se tão cheia de enxames estelares e outros objetos que um astrônomo pode passar sua carreira inteira explorando-a.

Beleza científica

Os astrônomos estão sempre observando a Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias mais próximas da nossa Via Láctea. Não é para menos. Uma nova imagem espectacular, obtida no Observatório de La Silla, no Chile, mostra uma vasta coleção de fenômenos e corpos celestes, muitos deles ainda verdadeiros segredos para os cientistas. Em apenas uma pequena porção da Grande Nuvem de Magalhães podem ser vistos desde enormes enxames globulares até restos deixados por explosões de supernovas. Esta observação fascinante fornece dados para uma enorme variedade de projetos de pesquisa, com estudos sobre a vida e a morte das estrelas e a evolução de galáxias.

Grande Nuvem de Magalhães

A Grande Nuvem de Magalhães está a apenas 160.000 anos-luz de distância da Terra - em escala cósmica, isto é muito próximo. E é esta proximidade que a torna um alvo importante, já que pode ser estudada com muito mais detalhe do que sistemas mais distantes. Situada na constelação de Dourado, no céu austral, a Grande Nuvem é uma das galáxias do chamado Grupo Local, um grupo de galáxias do qual a Via Láctea também faz parte. Embora seja enorme em escala humana, a Grande Nuvem de Magalhães tem menos de um décimo da massa da Via Láctea, com um comprimento de apenas 14.000 anos-luz, frente aos cerca de 100.000 anos-luz da Via Láctea. Os astrônomos classificam-na como uma galáxia anã irregular. As suas irregularidades, combinadas com a sua barra central proeminente de estrelas, sugerem que interações de maré com a Via Láctea e com a sua companheira do Grupo Local, a Pequena Nuvem de Magalhães, podem ter distorcido a sua forma de galáxia espiral barrada clássica para a sua atual forma caótica.

Quatro luas cheias

Esta imagem é um mosaico composto de quatro fotografias obtidas com o instrumento Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. A imagem cobre uma região do céu quatro vezes maior do que a coberta pela Lua Cheia. O grande campo de visão da câmera torna possível observar uma grande variedade de objetos numa única fotografia, embora capturando apenas uma pequena parte da galáxia. Dúzias de enxames de estrelas jovens podem ser observadas sob a forma de resquícios de nuvens de gás brilhante. Enormes quantidades de estrelas de fraca luminosidade enchem a imagem de ponta a ponta e, no plano de fundo, são visíveis mais galáxias, muito além da Grande Nuvem de Magalhães.

Enxames globulares

Os enxames globulares são coleções de centenas de milhares a milhões de estrelas, unidas pela gravidade, dispostas em forma mais ou menos esférica, com cerca de alguns anos-luz de diâmetro. Muitos enxames globulares orbitam a Via Láctea e a maioria é muito velha, com mais de dez bilhões de anos de idade. São compostos essencialmente por velhas estrelas vermelhas. A Grande Nuvem de Magalhães também possui enxames globulares. Um deles é visível como um enxame de estrelas de forma oval branca desfocada, na parte superior central da imagem. Trata-se do NGC 1978, um enxame globular de grande massa, o que é algo pouco comum. Contrariamente à maioria dos outros enxames globulares, os cientistas calculam que o NGC 1978 tenha apenas 3,5 bilhões de anos de idade. A presença de um objeto deste tipo na Grande Nuvem de Magalhães leva os astrônomos a pensarem que esta galáxia tem uma história mais recente de formação estelar ativa do que a nossa própria Via Láctea.

Estrela de nêutrons

Além de ser uma região de intenso nascimento de estrelas, a Grande Nuvem de Magalhães viu também muitas mortes espectaculares de estrelas, sob a forma de explosões de supernovas. Na parte superior direita da imagem, pode-se ver o resto de uma supernova, sob a estranha forma de uma nuvem filamentar que atende tanto por DEM L 190 quanto por N 49. Esta nuvem gigante de gás brilhante é o resto da supernova mais brilhante da galáxia e tem cerca de 30 anos-luz de comprimento. No centro, onde a estrela progenitora brilhava antes de explodir, encontra-se agora uma estrela de nêutrons, com um campo magnético extremamente forte. Foi apenas em 1979 que satélites orbitando a Terra detectaram a poderosa explosão de raios gama emitida por este objeto, chamando a atenção para as propriedades extremas desta nova classe estelar exótica criada pelas explosões de supernovas. Esta parte da Grande Nuvem de Magalhães encontra-se tão cheia de enxames estelares e outros objetos que um astrônomo pode passar sua carreira inteira explorando-a. Com tanta atividade, é fácil compreender porque os astrônomos têm tanto interesse em estudar as estranhas criaturas deste verdadeiro zoológico cósmico.

Fonte: Inovação Tecnológica

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