quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Orientando o dexista iniciante

De começo, aconselha-se ao dexista a utilizar um pequeno receptor, que esteja apto a captar ondas curtas (25, 31 e 49m já é o suficiente) e, logicamente, ondas médias fazendo com que o principiante vá se acostumando aos poucos, até adquirir prática que justifique o uso de receptores com mais faixas, mais sensíveis e sofisticados, os quais possibilitarão caçadas mais difíceis.
Nos primeiros dias, devem-se escolher as emissoras mais próximas, de âmbito nacional e, aos poucos, vai-se passando para as estrangeiras, gradualmente habituando-se aos problemas de propagação, ruídos e interferências. A radioescuta não deve ser iniciada pelo lado mais difícil, para não trazer desilusões no início.
Depois de ter adquirido certa experiência, o dexista, além de sentir o prazer, notará a cultura que adquiriu, os conhecimentos, bem como a facilidade que lhe é proporcionada na distinção dos vários idiomas, aumentam também os conhecimentos técnicos, que irão aperfeiçoar seus métodos de recepção, facilitando cada vez mais a sintonia e proporcionando mais e mais os cobiçados cartões QSL.
O dexista, para progredir, precisa fazer amizades visando adquirir e desenvolver novas idéias e, também, ficar a par do que acontece mundialmente em termos de radioescuta. Em geral, a principal atividade do dexista é, sem dúvida, a de colaborar com as emissoras, redigindo seus relatórios de recepção. Para isso, deve utilizar-se dos dados essenciais, que são:

Data e Hora em que foi feita a escuta, sempre em tempo universal (UT em inglês), que corresponde, para fins práticos, à hora GMT do Meridiano de Greenwich (isso equivale à hora de Brasília mais 3; assim, 12h00min de Brasília corresponde a 15h00min UT ou GMT).

Frequência de sintonia (em KHz), dada com a maior exatidão possível.

Qualidade da Recepção, mais comumente expressada por códigos, desde os mais complexos (como o SIENMPFO) até o mais simples (S), tendo variações como o SIO, SIFO, SINFO e SINPO, sendo este último o mais conhecido e utilizado pelos dexistas.
Passemos, pois, a explicar sua formação:

S = força do sinal (“Strength” ou QSA);
I = interferência por outras emissoras (QRM);
N = ruídos atmosféricos (“Noise”) ou estática (QRN);
P = propagação normal ou sujeita a desvanecimento (QSB: quando o sinal parece sumir e logo após volta a ser ouvido);
O = conceito ou opinião geral em termos de inteligibilidade dos sinais (QRK).

Nunca se deve dar para O uma nota mais alta do que a dada para I, pois ficaria sem sentido dar como melhor a inteligibilidade de sinais perturbados por interferências de outras emissoras. Seria errado reportarmos SINPO 42434; mais correto seria 42432.
As notas vão de 5 (a mais alta) até 1 (a mais baixa), sendo que 55555 equivale a uma recepção perfeita, de qualidade local; já uma reportagem 21321 corresponderia a uma reportagem sem condições de escuta viável. O padrão para as notas do código SINPO é o da Tabela 1.



Detalhes de, no mínimo, 20 minutos do programa escutado, para que a emissora certifique-se de que realmente você a escutou; será feito, também, um pequeno comentário acerca do programa.

Receptor e Antena utilizados (seus dados), sem esquecer-se das Observações, onde se coloca e específica o tipo de interferência, se esta tenha existido, o local de recepção, e tudo o mais que você achar interessante. Para que fique mais informal, inclua também dados pessoais, como idade, profissão ou similares.
Para finalizar, não deixe de solicitar confirmação QSL, se você desejar receber o cartão da emissora. Quando se tratar de emissoras de âmbito local, convém anexar selos para a resposta, mas tenha paciência para receber a resposta.
A todos desejo boa recepção e que esse texto tenha sido, de alguma forma, útil.


Fonte: Esse texto foi tirado da revista Eletrônica Popular Vol. 50 Nº 2 [Fevereiro de 1981] e pode ser baixado em pdf aqui.

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