quarta-feira, 31 de março de 2010

Cuidados na Utilização de Transistores de Potencia de RF

Deve-se observar que um transistor de potencia de RF deve operar sempre dentro da faixa de potência para o qual ele foi fabricado, sob pena de não apresentar o rendimento esperado. Assim, não se deve utilizar um transistor de, por exemplo, 20W, numa potência muito inferior (5W), ou superior (30W). No primeiro caso, o seu desempenho será inferior ao de um transistor apropriado para aquela potência. No segundo caso o transistor terá sua vida útil comprometida.
Outro problema é a utilização de transistores fabricados para as faixas de VHF e UHF em amplificadores de HF. Tais transistores possuem uma fT muito elevada, fazendo com que, também, o ganho seja elevado em baixas frequências (inferiores a 30 MHz). Para a utilização desses transistores, é necessário o usa de redes amortecedoras de baixa frequência em paralelo com a base.
Para finalizar, seguem-se alguns conselhos e recomendações que dizem respeito ao uso de transistores de potencia RF.

a) Deve-se prover um meio adequado para dissipar o calor gerado pelo funcionamento do transistor mediante o uso de dissipadores de calor: um transistor de RF deve funcionar frio ao toque. Excesso de temperatura causa perda de potência e aumenta a dissipação de calor, podendo provocar uma avalanche térmica, com consequente dano para o transistor.

b) O ganho de corrente de um transistor de potência de RF varia de forma inversamente proporcional à corrente de coletor. A corrente de pico é determinada, assim, pela diminuição aceitável da amplificação em alta frequência. Isso é importante quando a tensão de alimentação é baixa e se usa modulação em amplitude.

c) O regime de tensão entre coletor e base não deve ser excedido para que não ocorra ruptura da junção. Isso pode ocorrer, principalmente quando se usa modulação em amplitude e a carga se encontra reativa, seja pelo descasamento de impedância com a antena, seja durante o processo de ajuste de sintonia.

d) A frequência de transição, fT, do transistor deve ser muito superior a frequência de operação do amplificador. Como a frequência de transição é função da corrente e, normalmente, diminui para correntes elevadas de emissor, deve-se determinar o nível da corrente de trabalho antes de escolher o transistor. Uma alta fT em correntes elevadas é própria de um bom transistor de potencia de RF.

e) Em uso móvel, um transistor de potencia de RF está sujeito a condições severas de descasamento de impedâncias, causadas por linhas de transmissão ou antenas defeituosas. Para suportar os regimes elevados de tensão e corrente, resultantes destas condições adversas, o transistor deve ser montado num bom dissipador de calor, capaz de manter baixa a temperatura da junção.

Fonte:
Telecomunicações
Juarez do Nascimento
Makron Books

sexta-feira, 26 de março de 2010

Descobertas cinco estrelas em rota de colisão com o Sistema Solar


Ao contrário do Cinturão de Kuiper, que é um anel no mesmo plano orbital dos planetas, a Nuvem de Oort parece ser uma esfera de rochas espaciais, prontas para virarem cometas, ao redor de todo o Sistema Solar.


Estrela a caminho

Tem uma estrela no nosso caminho. Ou melhor, cinco estrelas. Ou talvez sejamos nós a estarmos bem no caminho delas. Um grupo de astrônomos russos e finlandeses usou dados do satélite Hipparcos, da Agência Espacial Europeia (ESA), juntamente com registros de diversos telescópios terrestres, para criar um modelo que mostra a trajetória de algumas estrelas vizinhas do Sistema Solar. E algumas delas parecem decididas a estreitar os laços de vizinhança e nos cumprimentar bem de perto - elas deverão passar raspando pelo Sistema Solar.

Nuvem de Oort

Vadim Bobylev e seus colegas descobriram nada menos do que quatro estrelas até então desconhecidas que deverão passar a meros 9,5 anos-luz da Terra. A essa distância, as quatro atingirão a chamada Nuvem de Oort, um verdadeiro campo de pedregulhos espaciais que os astrônomos acreditam ser a fonte de todos os cometas que atravessam o Sistema Solar. Os efeitos gravitacionais desse encontro, e sua influência sobretudo sobre os planetas mais externos, ainda não foram modelados e não podem ser desprezados de antemão.

Estrela em rota de colisão com a Terra

Mas, segundo Bobylev, a maior ameaça virá mesmo é da estrela Gliese 710, uma anã laranja que, apesar de se encontrar hoje a 63 anos-luz da Terra, está chispando pelo espaço em nossa direção a uma velocidade de 14 quilômetros por segundo. Segundo os astrônomos, seus cálculos indicam que há uma chance de 86% de que a Gliese 710 atravesse a Nuvem de Oort, arremessando milhões de cometas em direção ao Sol - logo, passando necessariamente pela órbita dos planetas, inclusive da Terra. Estudos anteriores, contudo, revelam que uma saraivada de cometas gerada pela passagem de uma estrela pela Nuvem de Oort terá sobre a Terra o efeito mais de um chuvisco do que de uma tempestade - nosso planeta deverá ser atingido por não mais do que um cometa por ano. Se serve de consolo, por outro lado basta lembrar que tudo indica que apenas um choque de um meteorito com tamanho suficiente foi capaz de dizimar a vida na Terra na época dos dinossauros.


A Gliese 710 é uma anã laranja que está chispando pelo espaço em nossa direção a uma velocidade de 14 quilômetros por segundo.


Chuva de cometas

Há ainda, segundo os cálculos de Bobylev e seus colegas, uma chance em 10.000 de que a Gliese 710 aproxime-se a menos de 1.000 unidades astronômicas do Sistema Solar - uma unidade astronômica equivale à distância entre a Terra e o Sol. Se isso de fato acontecer, ela atingirá não apenas a Nuvem de Oort, mas também o Cinturão de Kuiper - uma área repleta de pedregulhos espaciais congelados localizado além da órbita de Netuno - assim como outros grupos de objetos que giram em órbitas entre os dois. Além de uma chuva de cometas eventualmente mais intensa, essa aproximação certamente afetará a órbita de Netuno, com efeitos sobre os demais planetas que ainda deverão ser objetos de novos estudos.

Pedras espaciais

A boa notícia é que, ao contrário das pedras que encontramos pelo caminho aqui na Terra, as pedras espaciais, ou pelo menos as estrelas, costumam ficar a grandes distâncias, e os tropeções demoram bastante para acontecer. A mais perigosa das cinco ameaças, a Gliese 710, deverá chegar por aqui dentro de 1,5 milhão de anos.


Fonte: Inovação Tecnológica

Apostila de áudio

Trago aqui uma pequena apostila com alguns circuitos de áudio usando CIs.


CIs de áudio - Circuitos

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domingo, 21 de março de 2010

Tapete cósmico: filamentos de poeira espacial intrigam astrônomos

A análise destas estruturas poderá ajudar a determinar as forças que dão forma à nossa Galáxia e que estão na origem da formação das estrelas.


A última imagem obtida pelo telescópio Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostra filamentos gigantescos de poeira muito fria que se estendem ao longo da nossa Galáxia. A análise destas estruturas poderá ajudar a determinar as forças que dão forma à nossa Galáxia e que estão na origem da formação das estrelas. Por enquanto, os astrônomos desconhecem porque esses padrões se repetem tanto em pequena quanto em grande escala ao longo da Via Láctea.

Como se formou o Universo?

O telescópio espacial Planck foi projetado, principalmente, para estudar os maiores mistérios da cosmologia: Como se formou o Universo? Como se formaram as galáxias? Agora, esta nova imagem estende o alcance de suas investigações até as frias estruturas de poeira que se estendem pela nossa Galáxia, uma vez que sua formação ainda é um mistério. A imagem mostra a estrutura filamentosa de poeira na vizinhança do nosso Sistema Solar - até cerca de 500 anos-luz do Sol. Os filamentos locais estão conectados ao restante dos filamentos de larga escala da Via Láctea, a região rosa na horizontal, na parte inferior da imagem. Nesta zona, a radiação vem de muito mais longe, do lado oposto do disco da nossa Galáxia.

Nuvens espaciais

A imagem foi colorida artificialmente, de forma a ser possível avaliar as diferenças de temperatura nas estruturas de poeira. Os tons branco-rosados mostram a poeira com alguns décimos de grau acima do zero absoluto, enquanto as zonas com cores mais intensas indicam a poeira com temperaturas por volta dos -261°C, apenas 12 graus acima do zero absoluto. A poeira mais quente está concentrada no plano da Galáxia, enquanto aquela que está em suspensão, acima e abaixo do disco galáctico, é mais fria.


Veja onde está localizada a região representada na imagem principal, captada durante a "varredura de céu inteiro" que o Telescópio Espacial Planck está fazendo em busca dos rastros do Big Bang.


"Ainda não sabemos a razão dessas estruturas apresentarem esses formatos tão peculiares," nota Jan Tauber, cientista do Projeto Planck. As zonas mais densas são conhecidas como nuvens moleculares, enquanto as mais difusas recebem o nome de "cirros". Elas são formadas por uma mistura de poeira e gás, embora o gás não seja mostrado diretamente nas imagens. Há muitas forças em ação na nossa Galáxia, que levam as nuvens moleculares e os cirros a adquirir esta forma de filamento. Por exemplo, em larga escala, nossa Galáxia gira, o que origina padrões espiralados de estrelas, poeira e gás. A gravidade exerce uma grande influência, puxando a poeira e o gás. A radiação e os jatos de partículas das estrelas empurram a poeira e o gás ao seu redor. Os campos magnéticos também têm influência nestas estruturas, embora os cientistas ainda não saibam em que intensidade.

Formação de estrelas

Os locais mais brilhantes na imagem correspondem a aglomerados de matéria, onde pode ocorrer a formação de estrelas. À medida que estes aglomerados encolhem, tornam-se mais densos, isolando o seu interior da influência da luz e da radiação externas, o que acelera seu resfriamento, fazendo com que colapsem mais rapidamente, iniciando a formação de uma nova estrela. O telescópio espacial Herschel, que é o maior telescópio espacial já lançado, pode ser utilizado para estudar regiões como estas em mais detalhe. No entanto, só o Planck é capaz de detectá-las em todo o céu. O Herschel e o Planck foram lançados juntos em Maio de 2009 e os dois estudam os componentes mais frios do Universo. O Planck estuda as grandes estruturas, enquanto o Herschel realiza observações detalhadas de regiões menores, tais como as regiões vizinhas às zonas formação de estrelas, os chamados "berços de estrelas".

Radiação de fundo do Big Bang

O enigma que os astrônomos agora têm para resolver é por que razão a nossa Galáxia apresenta esta estrutura de filamentos tanto em pequena escala quanto em grande escala. "Esta é uma grande questão", afirma Tauber. A nova imagem é uma combinação dos dados obtidos pelo Instrumento de Alta Frequência (HFI) do Planck, em comprimento de onda entre 540 e 350 micrômetros, e de uma imagem de 100 micrômetros obtida pelo satélite IRAS, em 1983. Os dados enviados pelo HFI foram obtidos como parte da primeira varredura do Planck em todo o céu, na faixa das micro-ondas. À medida que o satélite gira sobre o seu eixo, os seus instrumentos vão fazendo uma varredura total do céu. Em cada rotação, eles observam a Via Láctea duas vezes. Com isso, durante a missão do Planck, de registrar a radiação de fundo do Big Bang, também serão produzidos mapas da nossa Galáxia com um nível de detalhamento sem precedentes.

Fonte: Inovação Tecnológica

Planilha para o cálculo de fontes de alimentação

Para os colegas que baixaram a apostila com as fórmulas para o cálculo de fontes de alimentação trago neste post uma planilha com os cálculos da apostila.
Alguns colegas podem ter problemas com a compatibilidade do formato, eu recomendo que entrem nesse link da Microsoft e baixem e instalem o aplicatico para poder visualizar os novos formatos.

Planilha - Download


quinta-feira, 18 de março de 2010

Pincel e bisturi

Em 1917, o artista inglês Henry Tonks (1862-1937) era professor da Escola Slade de Belas Artes, em Londres. Ele instruía um de seus alunos, o pintor irlandês William Orpen (1878-1931), que mais tarde se tomaria um dos maiores retratistas da Grã-Bretanha, quando recebeu uma visita inusitada. Era um comitê do Queen's Hospital lhe propondo uma troca de emprego. Tonks havia se formado em cirurgia 29 anos antes. Mas logo largou a medicina para se dedicar a arte. O objetivo do hospital, porem, era fazê-lo acompanhar o cirurgião neozelandês Sir Harold Gillies, que estava inventando técnicas cirúrgicas para reparar danos em soldados mutilados durante a I Guerra Mundial. A função de Tonks seria traçar desenhos dos pacientes deformados e de como eles poderiam ficar depois da ação do bisturi. Tonks topou. Seus retratos orientaram Gillies. A dupla é considerada a criadora da cirurgia plástica moderna.

Fonte: Revista Superinteressante

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um ano se passou [links off]

Este mês completa um ano de blog no ar e eu gostaria de agradecer todos os leitores. Gostaria de citar as cidades e países de onde recebo visitas, mas não vou fazer isso porque a lista é muito grande e acabaria fazendo injustiça com alguém. Quando comecei não esperava que fosse receber tantas visitas. Espero, apesar das dificuldades, continuar com as postagens de revistas e livros, pois tenho mais coisas para digitalizar, um exemplo é a próxima série de revistas, a Antenna - Eletrônica Popular, que tenho 102 revistas para ser digitalizadas.
Hoje eu trago três livros e duas apostilas que achei na internet e que muitos vão gostar. O primeiro é uma pequena apostila de equivalência de SMD que pode ser baixado aqui. Apesar de falar que está completa, acredito que não por sempre estar aparecendo componentes novos em SMD. O segundo é um manual da faixa do cidadão escrito por Vilson Vieira da Silva e que pode ser baixado aqui.
Os outros 3 livros vocês encontram abaixo. O primeiro, Circuitos elétricos CC/CA, é muito usado nas ETEs de São Paulo, o segundo, Radio & Electronics Cookbook, é um compilado de circuitos dedicado ao radioamadorismo e o último é um sobre amplificadores operacionais, esses dois últimos em inglês.


Circuitos elétricos CC-CA - Otávio Markus

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Radio & Electronics Cookbook

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Op amp applications handbook - Walt Jung

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Estudo de galáxias valida Teoria da Relatividade em escala cósmica



Mapa parcial da distribuição das galáxias feito pelo Sloan Digital Sky Survey, alcançando uma distância de 7 bilhões de anos-luz.


Teoria da Relatividade (cosmicamente) Geral


Depois de analisar mais de 70 mil galáxias, um grupo internacional de físicos concluiu que o Universo funciona de acordo com as regras descritas há quase 100 anos por Albert Einstein - tanto nas proximidades da Terra como a mais de 3,5 bilhões de anos-luz de distância. Ao calcular a união dessas galáxias, que formam aglomerados e se estendem por quase um terço da distância até o virtual limite do Universo, e ao analisar as velocidades e distorções desse fenômeno, os pesquisadores demonstraram que a Teoria da Relatividade Geral se aplica ao que ocorre em escala cósmica.

Teorias alternativas

Outra consequência direta do estudo é que a existência de matéria escura é a explicação mais provável para a constatação de que as galáxias e os aglomerados se movem pela influência de algo a mais do que é possível observar. "Uma consequência interessante ao lidar com escalas cosmológicas é que podemos testar qualquer teoria completa e alternativa da gravidade, porque ela deveria prever as coisas que observamos", disse Uros Seljak, professor na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e no Instituto de Física Teórica da Universidade de Zurique, na Suíça, um dos autores do estudo. "As teorias alternativas que não requerem matéria escura não passaram nos testes", disse Seljak. Uma delas é a teoria da gravidade tensor-vetor-escalar (TeVeS), que modifica a relatividade geral ao evitar contemplar a existência da matéria escura. O novo estudo contradiz um outro divulgado no ano passado que indicou que o Universo em seu início, entre 11 e 8 bilhões de anos atrás, não poderia se encaixar na descrição relativística geral da gravidade. O novo trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira (11/3) da revista Nature e tem como um dos autores James Gunn, professor de física na Universidade Princeton e "pai" do Sloan Digital Sky Survey, projeto iniciado em 2000 que pretende mapear um quarto do céu, observando mais de 100 milhões de objetos.

Teste da Teoria da Relatividade

De acordo com a Teoria da Relatividade Geral, publicada por Einstein em 1915, a matéria (energia) curva o espaço e o tempo à sua volta - a gravitação é um efeito da geometria do espaço-tempo. Isso significa que a luz se curva à medida que passa por um objeto de grande massa, como o núcleo de uma galáxia. A teoria foi validada muitas vezes na escala do Sistema Solar, mas testes em escala galáctica ou cósmica até então se mostraram inconclusivos. Tais testes se tornaram importantes nas últimas décadas porque a ideia de que uma massa invisível permeia todo o Universo foi combatida por diversos físicos teóricos, levando a teorias alternativas que alteraram a relatividade geral de modo a não contemplar a existência de matéria escura. Alguns poucos pesquisadores chegam a defender que a Teoria da Relatividade é ideologia, e não ciência. A teoria TeVeS, por exemplo, estipula que a aceleração causada pela força gravitacional de um determinado corpo depende não apenas da massa desse corpo, mas também do valor da aceleração promovida pela gravidade.

Energia escura

A descoberta da energia escura, a força misteriosa que causa a expansão acelerada do Universo, levou à formulação de outras teorias para explicar a expansão sem levar em conta a energia escura, cuja existência ainda é hipotética. Segundo Seljak, testes para comparar teorias concorrentes não são fáceis. Experimentos cosmológicos, como detecções da radiação cósmica do fundo em micro-ondas, tipicamente envolvem medir flutuações no espaço, enquanto teorias gravitacionais estimam relações entre densidade e velocidade, ou entre densidade e potencial gravitacional. "O problema é que o tamanho da flutuação, por ele mesmo, não nos diz coisa alguma sobre as teorias cosmológicas que estão por trás. Trata-se essencialmente de uma perturbação da qual gostaríamos de nos livrar", disse. Ao usar dados de mais de 70 mil galáxias vermelhas distantes, obtidos pelo Sloan Digital Sky Survey, Seljak e colegas verificaram que a teoria TeVeS mostrou resultados além dos limites de erro estabelecidos. A Teoria da Relatividade Geral se encaixou dentro do limite. Os pesquisadores pretendem reduzir a margem de erro e, para isso, querem ampliar o escopo da análise para 1 milhão de galáxias. A quantidade será possível com a entrada em operação do projeto Baryon Oscillation Spectroscopic Survey, previsto para daqui a cinco anos.

Fonte: Inovação Tecnológica

terça-feira, 9 de março de 2010

Descoberto novo modo de produzir eletricidade


Um nanotubo de carbono pode produzir uma onda de energia quando uma camada de combustível queima-se ao seu redor, arrastando portadores de carga e gerando um pico de corrente elétrica.


Ondas de energia

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, descobriu um fenômeno inédito que faz com que ondas de energia sejam criadas ao longo de nanotubos de carbono. Segundo os pesquisadores, o fenômeno até agora desconhecido poderá levar a uma nova forma de produzir eletricidade. O fenômeno, descrito como "ondas termoelétricas", "abre uma nova área de pesquisa na área de energia, o que é raro," afirmou Michael Strano, um dos autores do estudo que foi publicado neste domingo (7/3) na revista Nature Materials. Da mesma foram que um monte de detritos é atirado pelas ondas em uma praia depois de terem viajado pelo oceano, a onda térmica - um pulso de calor em movimento - viajando ao longo do fio microscópico de carbono pode arrastar elétrons em seu caminho, criando uma corrente elétrica. O ingrediente principal dessa nova receita de energia é o nanotubo de carbono, uma estrutura com dimensões na faixa dos bilionésimos de metro, na qual os átomos de carbono estão dispostos como se fossem uma tela de arame enrolada. Os nanotubos de carbono fazem parte de uma família muito promissora de novas materiais, que inclui ainda os buckyballs e o grafeno.

Princípio de funcionamento

No estudo, cada um dos nanotubos de carbono, que são bons condutores tanto de eletricidade quanto de calor, foram recobertos com uma camada de um combustível altamente reativo e que gera um forte calor à medida que se decompõe. O combustível é então inflamado em um dos lados dos nanotubos, o que pode ser feito por um feixe de laser ou por uma faísca elétrica, resultando em uma onda térmica que se desloca velozmente ao longo do nanotubo de carbono. O calor do combustível é transferido para o nanotubo, onde ele passa a se deslocar milhares de vezes mais rapidamente do que a própria queima do combustível. À medida que o calor, que caminha mais rápido do que a chama, realimenta a camada de combustível, cria-se uma onda térmica que caminha ao longo do nanotubo. Com uma temperatura de mais de 2.700º C (3.000 K), o anel de calor se espalha ao longo do nanotubo a uma velocidade 10 mil vezes maior do que o espalhamento normal da reação química de queima do combustível. O calor produzido pela combustão também desloca elétrons pelo nanotubo, criando uma corrente elétrica significativa.


Esquema de funcionamento do experimento, vendo ao centro o aglomerado de nanotubos de carbono revestidos com combustível (CNT+NA).


Ondas de combustão


Ondas de combustão - neste caso o pulso de calor viajando através do fio de carbono - "têm sido estudadas matematicamente há mais de 100 anos," afirma Strano, mas esta é a primeira vez que se observa seu efeito em um nanotubo, verificando que a onda de calor pode movimentar elétrons em intensidade suficiente para produzir eletricidade em quantidade apreciável. A intensidade do pico de tensão criado inicialmente ao longo dos nanotubos imediatamente surpreendeu os pesquisadores. Depois de refinarem as condições do experimento, o sistema gerou uma energia que, proporcionalmente ao seu peso, é cerca de 100 vezes maior do que um peso equivalente de uma bateria de íons de lítio, as mais avançadas atualmente disponíveis.

Arrastamento eletrônico

A quantidade de energia liberada é muito maior do que a prevista pelos cálculos termoelétricos. Embora muitos materiais semicondutores possam produzir um potencial elétrico quando aquecidos, por meio do chamado efeito Seebeck, este efeito é muito fraco no carbono. "Nós chamamos [o fenômeno] de arrastamento eletrônico, uma vez que parte da corrente parece estar em escala com a velocidade da onda," diz Strano. A onda térmica parece capturar e arrastar os transportadores de carga elétrica - ou elétrons ou lacunas de elétrons - da mesma forma que uma onda do mar pode capturar um monte de detritos ao longo da superfície e arrastá-lo. E, no caso do experimento gerador de eletricidade, a intensidade de portadores de carga "capturados" parece depender da velocidade da onda. A teoria prevê que alguns tipos de combustível - o material reagente usado para revestir o nanotubo - poderão produzir ondas que oscilam. Desta forma, seria possível gerar corrente alternada, a mesma que abastece as residências e que é a base das ondas de rádio usadas em todos os dispositivos sem fios, como telefones celulares, aparelhos de GPS e inúmeros outros. Hoje, embora necessitem de corrente alternada, esses dispositivos utilizam baterias que geram corrente contínua, que deve ser convertida antes do uso. Este é o próximo experimento que os cientistas planejam fazer.


É cedo para falar em substituição das baterias ou outras aplicações, porque baterias que se inflamam terão sérios problemas de segurança e conforto.


Aplicações

Os pesquisadores afirmam que, por ser muito recente, é difícil prever as aplicações possíveis da nova forma de geração de energia. Mas Strano se arrisca a falar na alimentação de minúsculos sensores ambientais, que poderiam ser espalhados pelo meio ambiente como se fossem poeira no ar, alimentados pela minúscula bateria de nanotubo de carbono. Ou dispositivos médicos, nos quais o calor e a luz gerados poderiam ter interesse para o monitoramento de cápsulas do tamanho de grãos de arroz no interior do corpo humano, assim como para o aquecimento de determinadas áreas a serem tratadas. De qualquer forma, é mesmo muito cedo para se falar em substituição de baterias. Ainda que eventuais baterias que funcionem sob o novo princípio possam armazenar sua energia indefinidamente, o sistema ainda é bastante ineficiente - a maior parte da energia é dissipada na forma de calor e luz - e pouco prático - baterias que se inflamam terão sérios problemas de segurança e conforto. Um potencial de melhoria do sistema estaria na utilização de nanotubos distanciados uns dos outros, permitindo uma forma de controle da queima. Isso também aumentaria a eficiência do gerador, uma vez que os experimentos demonstraram que nanotubos individuais são mais eficientes na geração de energia do que nanotubos aglomerados em grandes amostras.

Fonte: Inovação Tecnológica

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dica de blog

Uma boa dica para quem gosta de robótica é o blog Brasil Robotics com um vasto material na área, uma boa opção para quem quer ficar atualizado.

Rádio Voz de Croácia 7375KHz



Recepção feita na cidade de Boituva(SP) no dia 28 de dezembro de 2009 às 04:38hs aproximadamente usando o rádio Sony ICF-F12S dentro do quarto.

terça-feira, 2 de março de 2010

Biocélula usa fotossíntese para gerar eletricidade


Biocélula inserida em um cacto e um gráfico mostrando a intensidade da corrente elétrica gerada como função da iluminação que incidia sobre a planta (em preto, a glicose e, em vermelho, o O2).


Cientistas do instituto de pesquisas CNRS, da França, transformaram a energia química gerada pela fotossíntese de uma planta em energia elétrica. A pesquisa demonstra uma nova rota para fotossíntese artificial, uma área de pesquisas promissora que pretende desenvolver uma estratégia de conversão da luz solar em eletricidade de forma ainda mais eficiente e mais ambientalmente correta do que as células solares. Além do campo da energia, a nova biocélula poderá ter aplicações médicas.

O que é fotossíntese

A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas convertem a energia do Sol em energia química. Na presença da luz visível, o dióxido de carbono (CO2) e a água (H2O) são transformados em glicose e em oxigênio (O2) por meio de uma complexa série de reações químicas que ainda não são bem compreendidas pelos cientistas. Em vez de tentar reproduzir toda a fotossíntese de forma artificial, o que é uma meta desejável, mas ainda distante de ser alcançada, os pesquisadores franceses criaram uma célula alimentada por um biocombustível que é justamente o produto da fotossíntese de uma planta viva (glicose e oxigênio). De desenho aparentemente muito simples, a célula a bicombustível é formada por eletrodos cujas superfícies foram modificadas com a adição de duas enzimas.

Domando a fotossíntese

Os pesquisadores inseriram sua biocélula em uma planta viva - neste experimento eles utilizaram um cacto. Assim que os eletrodos, que são muito sensíveis tanto à glicose quanto ao O2, foram inseridos na folha do cacto, os cientistas puderam monitorar a fotossíntese em tempo real, in vivo, o que, por si só, já seria um grande feito científico. Durante os experimentos, os pesquisadores puderam fazer a primeira observação direta dos níveis de glicose durante a fotossíntese, em tempo real. Ou seja, além das aplicações tecnológicas, a técnica será de grande utilidade para o entendimento pormenorizado da própria fotossíntese, um objetivo longamente perseguido pelos biólogos - "domar" a fotossíntese significaria uma revolução radical na forma de geração de energia e de alimentos para a humanidade.


Diagrama da célula a biocombustível criada pelos pesquisadores franceses queterá aplicações médicas e poderá se tornar uma alternativa às células solares.

Célula a biocombustível

A saída dos eletrodos indica claramente uma elevação da corrente elétrica quando uma lâmpada é acessa nas proximidades do cacto, e um correspondente decréscimo na corrente quando a lâmpada é apagada. Sob a ação da lâmpada, a biocélula é capaz de gerar 9 Watts por centímetro quadrado de eletrodo. A geração de eletricidade é proporcional à luz que incide sobre a planta, uma vez que, com mais luz, ela pode produzir mais glicose e mais O2, disponibilizando mais combustível para operar a biocélula. É ainda apenas uma prova de conceito e é ainda difícil visualizar sua aplicação prática em conjunto com as plantas, mas a ideia pode formar a base de uma nova estratégia de geração de energia totalmente renovável e sem produção de gases com efeito estufa ou de qualquer outro resíduo.

Biocélula para aplicações médicas

O objetivo inicial dos pesquisadores não era criar uma competidora para as células solares, mas desenvolver uma biocélula para aplicações médicas. Ao capturar a energia química de biocombustíveis produzidos pelo corpo humano - a dupla glicose-oxigênio ocorre naturalmente nos fluidos fisiológicos - uma biocélula assim poderá poderá acionar implantes médicos e sensores de monitoramento do estado de saúde dos pacientes, funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia. Além de deixar para o passado a necessidade de troca de baterias desses aparelhos, toda uma gama de novas funcionalidades poderia ser criada, como monitores de glicose para diabéticos, alertas de elevação da pressão sanguínea para hipertensos, dispensadores de medicamentos na dose correta e em horários predeterminados etc.


Fonte: Inovação Tecnológica