terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Loop Hexagonal para Ondas Médias

Desde que vi uma loop de Ondas Médias sempre tive vontade de montar, mas no início eu não tinha o porque de montar, morava no primeiro andar de um prédio de quatro andares e a recepção por lá era algo meio impossível devido ao ruído da rede e hoje, como moro em uma residência tenho a oportunidade de montar uma e eu gosto muito desse estilo de loop, porque lembra muito as antenas dos receptores antigos, acho que em matéria de ganho de recepção não deve ser muito diferente da loop de quadro, eu ainda vou montar uma para testar essa diferença, mas acho que não muda muita coisa.
O esquema eu achei no site do Dave, que além das antenas loops também tem os receptores a cristal, conhecidos como Galena, é outro tipo de montagem que gosto muito. O que é uma pena é não conseguir achar as peças no Brasil, como os knobs usados, painéis de baquelite, suportes em geral e os capacitores variáveis de metal, mas de certa forma temos que arrumar um jeito de contornar isso, se não quisermos comprar pela internet.
Eu ia montar outro modelo, aquele que o Dave se refere igual ao símbolo do fabricante do carro dele, mas como eu errei na furação do mastro então acabei fazendo essa mesmo e depois de pronta eu não me arrependi, gostei muito do resultado, só a base que fiz deixou a desejar.

Dados da antena

O círculo de madeira central tem um diâmetro de 5¼ pol. [13,4cm] com seis furos de ½ pol. e profundidade de 1 pol.
As varas que formam os braços da antena tem 12 pol.[30cm] de comprimento, o mastro, 22 pol.[56cm] de comprimento e ambas com ½ pol. de diâmetro.
São duas bobinas, uma com dezesseis espiras (L1), que formará o circuito tanque, e outra com uma espira (L2), que faz o acoplamento. A bobina com uma espira é a que vai ser ligada na entrada da antena do rádio. O fio pode ser 22 AWG como qualquer outro próximo disso, não é aconselhável usar fio muito grosso por ser difícil de trabalhar.
Usando um capacitor variável de 365pF vai ter uma faixa de cobertura entre 650KHz a 1600KHz, para uma frequência mais baixa no início da faixa pode conectar um capacitor fixo(creio que valores até no máximo 150pF é suficiente) em paralelo com o variável ligado através de uma chave ou utilizar um capacitor variável de 500pF que deve cobrir toda a faixa de OM.

Montagem

Para os braços e o mastro usei essas varas usadas em poleiros para galinhas encontradas nessas lojas de produtos agrícolas e animais, eu não sei se o tamanho é padrão, mas as que eu achei têm um pouco mais de um metro de comprimento e custam R$2,50 cada.
Cada braço deve ter 17 furos (iniciados pelas pontas dos braços com uma distância de 6mm da ponta) e 19 furos no mastro, com uma separação de 3/8 pol. [9,5mm] e o dobro para a bobina de acoplamento, isto é, uma separação de 19 mm entre a bobina de sintonia e a de acoplamento. A bobina de acoplamento é colocada na espira externa, a separação entre as bobinas se deve para reduzir o acoplamento entre as bobinas e permitir uma sintonia mais precisa.



Aqui as partes encaixadas

Para enrolar a bobina comece com a bobina de sintonia a partir do centro. A outra bobina, de acoplamento, tem uma espira que começa e termina no mastro (assim como L1), sendo essa externa. Pode também ser invertido as posições das bobinas, a de acoplamento primeiro, isto é, internamente e externamente a de sintonia.
Em minha montagem eu usei 25,5 metros de fio para L1 e primeiro enrolei a bobina para depois esticar o fio. Na hora de esticar é que deve tomar o maior cuidado de não esticar muito para não quebrar o fio. A bobina L2 é bem fácil, é só amarar em um dos parafusos e depois esticar pela outra ponta.
Como a maioria dos capacitores variáveis retirados de receptores antigos são duplos eu usei uma chave DIP para por as secções em paralelo, o capacitor que usei tem cinco secções (tive sorte de achar esse capacitor na última visita que fiz ao ferro velho antes de me mudar para o interior de SP), duas de 365pF, duas de 50pF e uma de 150pF, então usei uma chave que permite diversas configurações, eu posso usar as duas secções de 365pF em paralelo, posso usar a de 365pF em paralelo com a de 150pF ou todas as secções em paralelo, essa última chega bem perto dos 1000pF. Assim em vez de colocar uma chave no painel da antena, junto com o variável e a saída, eu faço a mudança na própria placa, até porque não é necessário ficar mudando toda hora, se eu usar as duas secções de 365pF em paralelo vai cobrir toda a faixa de Ondas Médias.
Para fazer a ligação da antena no meu rádio eu tive que instalar uma bobina extra que é feita em torno da antena de ferrite do rádio, vai ficar como na imagem abaixo.



Esquema usado para o acoplamento da antena no rádio



O número de espiras da bobina não tem muita importância, é de maior importância que ambas as bobinas, a de acoplamento da antena e a interna no rádio, tenha aproximadamente a mesma indutância para a maior transferência de sinal. Eu usei três espiras na bobina interna no meu rádio, mas ainda quero testar com uma e duas espiras. Para quem tem um rádio sem entrada de antena e não quer abrir o rádio para fazer a alteração existe outra possibilidade que é a confecção de uma bobina captadora. É bem fácil, é só pegar uma barra de ferrite com uns 7 cm de comprimento e enrolar umas espiras, no meu caso eu testei com duas até vinte espiras, ficou muito bom com 12 espiras, o número exato vai depender de cada rádio e terá que ser determinado por meio do teste.
O comprimento do fio de ligação da antena ao rádio não é crítico desde que seja pequeno em comparação com o comprimento de onda que se vai trabalhar, se o comprimento chegar a uma fração apreciável do comprimento de onda, esse fio vai atuar mais como linha de transmissão, que não é o caso, a menos que você esteja com o rádio a uns 50 metros da antena.
O círculo central eu tive que recorrer a uma marcenaria, eu tinha um pedaço de madeira que tem exatamente uma polegada de espessura e para aproveitar o restante eu fiz logo dois círculos, foi preciso uma serra que nem todas as marcenarias daqui possuem, até a furadeira que ele utilizou para fazer os furos eu não tinha visto, a broca desliza na horizontal, o marceneiro que fez o trabalho caprichou e cobrou barato pelo serviço, eu deveria ter marcado os furos nos braços e no mastro para aproveitar e fazer tudo de uma só vez, mas eu quis fazer os furos e como minha furadeira não é aquela de bancada, não ficou muito bom.



O círculo com as furações

A princípio eu montei a antena, mas não gostei de como ficou o acabamento, eu usei um resto de osmocolor que eu tinha para pintar a madeira, achei que ia ficar como aqueles móveis parecidos com o mogno, mas parece que eu tinha pintado de marrom, por isso eu resolvi desmontar e tirar a tinta para passar verniz, de qualquer forma eu teria que desmontá-la porque o fio quebrou na hora que fui esticar e teria que ser trocado. Abaixo as imagens de como ficou essa montagem antes de desmontar.





Veja que ficaram umas falhas na pintura, a tinta ficou como uma película por cima da madeira e era só passar a unha que já tirava a tinta

Depois de desmontada e lixada eu passei novamente os fios e apliquei o verniz. Abaixo a imagem da antena acabada, que na minha opinião ficou bem melhor.


Aqui ela está finalizada, só preciso fazer outra base

Para passar o fio do início da bobina (L1) até o variável sem que fique muito aparente eu fiz um corte no mastro para embutir o fio, usei a clássica mistura de cola mais pó de serra para cobrir o corte e dar o acabamento, na foto abaixo da para ver os dois fios da bobina L1 saindo pouco acima do parafuso que fixa o painel.



Nessa imagem também da pra ver como fixei a bobina L2 nos parafusos de saída, bem simples.






Testes

Fiz testes com três receptores diferentes, um Sony mod. ICF-F12S e dois auto-rádios, um Bosch San Francisco e um Pionner mod. KEH-2600. Como usei receptores simples para fazer as escutas não tenho como indicar corretamente o ganho de sinal que teve com a antena, é claro que existe um ganho muito bom que pode ser notado pelo aumento do áudio das emissoras captadas e também na supressão de alguns ruídos, mas para testes mais apurados seria interessante a utilização de um receptor com indicação de sinal, o que posso afirmar nos testes que fiz comparando com a RGP3(essa última versão com o diâmetro do tubo maior), que teve um ganho de sinal bem superior.
Antes eu conseguia captar uma ou duas emissoras Argentinas com a RGP3 usando o Sony, mas com a loop eu consigo captar muito mais, algumas até no início da faixa onde tem diversas emissoras evangélicas fortes atrapalhando os sinais das emissoras distantes. Como ela é uma antena direcional, é possível diminuir a interferência de outras emissoras simplesmente girando a antena até obter o melhor sinal.
A loop, de certa forma funciona também com um filtro passa-faixa e usando o Bosch esse efeito é bem acentuado a ponto de se você não girar o variável da antena quando está mudando de sintonia, você não escuta emissoras fracas, o efeito é tão forte que se você ajustou a loop para uma frequência de aproximadamente 800KHz e girar o dial do receptor, a partir dos 850KHz você só vai ouvir emissoras fortes e com o áudio bem baixo.
Já com o Sony eu fiz mais escutas, o efeito do filtro não é tão acentuado como no Bosch, mas é bom dar uns retoques no variável da loop a medida que vai mudando de sintonia.
Outro motivo da minha escolha desse tipo de antena é que diferente da loop de quadro onde o acoplamento não necessita de ligação nenhuma, quando você gira a antena o receptor pode ficar parado, de frente com você, na loop de quadro se você girar a antena tem que girar o receptor junto e isso é meio problemático se você está recebendo sinais muito fracos que a qualquer alteração na posição do receptor pode influenciar na recepção.
Quando tive a oportunidade de usar o Icon no dxcamp que fiz com o Ivan Dias em Boituva - SP, aproveitei para determinar a faixa de cobertura da loop e os resultados pode ser visto abaixo:

- Com uma secção de 365pF

Limite inferior - 620KHz
Limite superior - 2130KHz

- Com as duas secções de 365pF em paralelo

Limite inferior - 450KHz
Limite superior - 2000KHz

- Com as cinco secções em paralelo

Limite inferior - 420KHz
Limite superior - 1640KHz


Abaixo alguns vídeos que fiz.


Nesse vídeo eu faço um teste para mostrar a direcionalidade da antena



Aqui um exemplo de grande diferença na recepção dessa emissora gaúcha, note que coloquei um interruptor para conectar e desconectar a antena facilmente.



Aqui é uma emissora bem forte, provavelmente a Rádio Nacional do Paraguai, a diferença não é tão grande, mas da para notar. Se tivesse um indicador de sinal seria melhor a visualização da diferença.



E aqui a Eldorado ESPN, que teve uma boa diferença na recepção.


Para quem quer construir uma antena que tenha um bom ganho de recepção, não ocupe muito espaço e com a vantagem de poder usá-la como decoração no QTH, essa antena é uma ótima escolha, e com certeza eu vou construir mais uma, desta vez não vou errar na furação e montar aquele modelo que é parecido com o emblema do fabricante do carro do Dave.

Revista Radiorama [Parte 09]

Segue mais quatro edições.


34 - Junho de 1959

35 - Julho de 1959

36 - Agosto de 1959

37 - Setembro de 1959

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Arquivos no 4shared

É pessoal, parece que eu estou com sorte, primeiro foi a fonte do meu pc que não está aguentando os dois HDs ligados impossibilitando de arrumar as edições das NE que estão com problemas, agora é minha conta no 4shared que não estou conseguindo acessar desde o começo do mês e para quem não sabe, se não faz o login uma vez por mês no mínimo, perde os arquivos e hoje fui acessar um esquema e não consegui portanto não fiquem espantados se for acessar algum arquivo nessa conta e não conseguir mais.
Eu cheguei a enviar dois e-mails para o suporte do 4shared, mas sem resultados então o que resta agora é esperar até que eu consiga arrumar tudo isso, se eu tivesse acesso a internet na minha casa pelo menos, eu conseguia arrumar parte desses problemas, mas parece que as empresas que prestam serviços só se preocupam com os grandes centros.

Como nem tudo é problema, eu estou preparando um post de uma antena loop que montei para Ondas Médias, é uma antena muito boa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Transístor atômico "perfeito" acelera miniaturização


Acima, micrografia do transístor atômico. Abaixo, sua representação esquemática.


Eletrônico e quântico

Cientistas australianos criaram um transístor atômico, totalmente funcional, e fabricado com uma precisão inédita. O transístor ultra-miniaturizado consiste em um único átomo de fósforo colocado caprichosamente sobre um cristal de silício com poucos átomos de largura. Nas extremidades da pastilha de silício são colocados os eletrodos e a porta de controle, tudo em escala atômica. Todo o conjunto estando em escala atômica significa que o novo componente é tão importante para a computação quântica quanto para a computação eletrônica tradicional.

Transistores atômicos

Já foram criados diversos tipos de transistores atômicos antes, mas todos dependiam de uma certa dose de acaso durante os experimentos, já que a manipulação de átomos individuais é muito difícil. Transístor atômico faz ponte entre computação eletrônica e quântica
Isso significa que, nos experimentos anteriores, os cientistas tinham que construir inúmeros dispositivos, até encontrar um que funcionasse. "Mas esse componente é perfeito," garante a Dra. Michelle Simmons, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. "Esta é a primeira vez que se demonstrou o controle de um átomo individual sobre um substrato com esse nível de precisão.


Se o atual ritmo de miniaturização se mantiver, os transistores deverão atingir a escala atômica por volta de 2020.

Manipulação de átomos

Depois que o transístor fica pronto, sob o microscópio eletrônico, "é possível ver até as minúsculas marcas escavadas na sua superfície," garante o Dr. Martin Fuechsle, coautor do trabalho. É nessas saliências que os eletrodos são colocados, para que a tensão seja fornecida e o transístor funcione. Estas estruturas são fabricadas por uma espécie de litografia, a técnica padrão usada pela indústria eletrônica. "Nosso grupo provou que é realmente possível posicionar um átomo de fósforo em um ambiente de silício - exatamente como precisamos - juntamente com as portas de controle," comemora Fuechsle. E há mesmo motivos para comemoração: o transístor atômico apresentou características eletrônicas que confirmam uma previsão recente, e surpreendente, de que a Lei de Ohm funciona em escala atômica.

Eletrônica em escala atômica

Se o atual ritmo de miniaturização se mantiver, os transistores deverão atingir a escala atômica por volta de 2020. Enquanto os chips mais modernos no mercado possuem transistores de 32 nanômetros, o átomo de fósforo usado neste transístor atômico mede 0,1 nanômetro. Embora o protótipo de um transístor atômico agora já esteja pronto, sua construção depende de aparatos como o microscópio de força atômica, o que significa que a técnica ainda não é totalmente adequada para a fabricação de componentes eletrônicos em larga escala. E, para funcionar, ele deve ser mantido a uma temperatura de -196 ºC. Mas talvez esta seja uma das primeiras demonstrações de uma das grandes promessas da nanotecnologia, a de que é possível manipular átomos para construir dispositivos úteis. O transístor atômico também pode representar a fronteira final da eletrônica como a conhecemos, a partir de onde já se entra no reino da spintrônica e da computação quântica.

Fonte: Inovação Tecnológica

Revista Radiorama [Parte 08]

Segue mais quatro edições.


30 - Fevereiro de 1959

31 - Março de 1959

32 - Abril de 1959

33 - Maio de 1959

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Antena de ferrite RGP3 - Atualização

Tive a oportunidade de fazer novos testes agora usando um rádio Icon mod. IC-R75 com indicador de frequência digital e indicador de sinal em um pequeno encontro de dexismo que fiz em Boituva com meu amigo Ivan Diaz, e como de costume aprendi muitas coisas novas. Com isso eu testei os limites da faixa de funcionamento da antena e ainda conectei uma antena longwire em um dos terminais da bobina.
Utilizei uma bobina para fazer o acoplamento entre a RGP3 e o receptor, é bem simples, basta fazer uma bobina com umas 12 a 15 espiras em um bastão de ferrite. Como eu tinha um bastão comprido e que acabou quebrando ao meio, eu juntei as duas partes e enrolei as espiras. Quanto ao número de espiras eu achei por meio de testes, comecei com duas e fiz o teste até vinte espiras e entre 10 a 15 espiras foi onde obtive maior rendimento.
Notei uma melhora excelente quando conectada a longwire e quando eu for montar uma em definitivo vou colocar um parafuso para poder conectar a longwire na RGP3.

Faixa de cobertura testada

- Limite inferior - 380KHz
- Limite superior - 1640KHz

Com isso é possível aumentar a frequência do limite superior excluindo algumas espiras. Abaixo um vídeo dela conectada ao Icon por meio de uma bobina






Para uma próxima antena eu já separei um tubo maior e de maior diâmetro, pois quero testar se existe muita ou pouca diferença entre esses três modelos que montei, abaixo a imagem do tubo em relação a essa RGP3 atual.



Em breve estarei postando mais uma antena loop de Ondas Médias que fiz. Com ela obtive melhores resultados que a RGP3.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Discos rígidos podem ser gravados com calor



O feito é mais surpreendente porque sempre se acreditou que o calor destruísse a ordem magnética.


Gravação magnética com calor

Uma equipe internacional de cientistas demonstrou uma forma quase inacreditável de ler e escrever bits magnéticos em um disco rígido. Eles descobriram que é possível gravar as informações usando apenas calor. E não apenas isso, como também a gravação com calor é muito mais rápida do que a técnica atual, que utiliza campos magnéticos. Segundo eles, a técnica permite que as informações sejam processadas centenas de vezes mais rapidamente do que pelo método magnético, além de exigir menos energia. "Em vez de usar um campo magnético para gravar as informações na mídia, nós exploramos forças internas muito mais fortes e gravamos os dados usando apenas o calor," afirmou o Dr. Thomas Ostler, da Universidade de Iorque, no Reino Unido, principal autor da pesquisa. "Este método revolucionário permite a gravação de terabytes (milhares de gigabytes) de dados por segundo, centenas de vezes mais rápido do que a tecnologia atual de discos rígidos. Como não há necessidade de um campo magnético, há também um menor consumo de energia," prossegue ele.

Calor e magnetismo

O feito é mais surpreendente porque sempre se acreditou que o calor destruísse a ordem magnética. "Durante séculos, acreditou-se que o calor só pudesse destruir a ordem magnética. Agora nós conseguimos demonstrar que o calor pode, de fato, ser um estímulo suficiente para registrar informações em meio magnético," completa o Dr. Alexey Kimel, coautor do estudo. Até agora se acreditava que a única forma de gravar um bit de informação - fundamentalmente inverter os pólos de um ímã - consistia em aplicar um campo magnético externo. Quanto mais forte for o campo magnético aplicado, mais rápido será feita a gravação do bit magnético. A indústria sabe disso, mas há tempos não consegue reduzir o tempo de gravação de um bit magnético, que atualmente está por volta de 1 nanossegundo. O que a equipe demonstrou é que as posições dos pólos norte e sul do ímã, ou do domínio magnético que representa um bit, podem ser invertidas por um pulso ultracurto de calor. A súbita elevação da temperatura altera a orientação do ímã em 2 milésimos de nanossegundo.
Segundo os cientistas, com a técnica de escrita por calor é possível atingir uma densidade de armazenamento de 10 petabytes por metro quadrado a uma velocidade de 200 Gb/s. Isso representa 10 vezes mais dados por área, gravados 300 vezes mais rápido, do que os discos rígidos atuais.

Calor direcional

O campo magnético gerado pela cabeça de gravação de um disco rígido possui uma direção, o que permite que ela grave ou um 0 ou um 1 - ou, em outros termos, faça o ímã apontar para o norte ou para o sul - de forma totalmente controlada. Já um pulso de calor não tem direção. Como é possível então controlar o que será gravado? Os pesquisadores ainda não têm uma explicação para isso - eles só têm certeza que o processo funciona de forma totalmente controlável. Mas eles levantam a hipótese de que isto se deve à combinação de átomos no material magnético usado, uma liga de ferro e do metal de terras raras gadolínio. Cada átomo tem seu próprio magnetismo, e normalmente os dois elementos apontam em direções opostas. Como os átomos de gadolínio são magneticamente mais fortes, os átomos de ferro se alinham com eles. Um pulso de calor muito curto - de 1/10.000 de nanossegundo - é suficiente para desarranjar a orientação em massa dos átomos de ferro. Os átomos de gadolínio reagem mais lentamente. Quando o material esfria de novo, os átomos dos dois materiais estão apontando em direções opostas. Mas basta repetir o processo para que todos os átomos se agitem - e os átomos de ferro voltam a acompanhar os átomos de gadolínio. "Nós ainda não entendemos todos os detalhes desse mecanismo ainda," confessa o Dr. Ostler. Os pulsos de calor são disparados com um laser. Segundo os pesquisadores, com a eliminação dos eletroímãs no interior de um disco rígido, o equipamento poderá consumir muito menos energia, mesmo levando em conta o consumo do laser.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Revista Radiorama [Parte 06]

Mais quatro edições.


22 - Junho de 1958

23 - Julho de 1958

24 - Agosto de 1958

25 - Setembro de 1958

Fibras ópticas ganham poder de processamento



Os pulsos de luz (esferas brancas) viajando ao longo da fibra óptica podem ser convertidos em sinais elétricos (onda quadrada) dentro da própria fibra, por uma junção semicondutora.


Fibra óptica inteligente

Uma equipe de físicos, químicos e engenheiros conseguiu pela primeira vez inserir em uma fibra óptica materiais semicondutores que dão à fibra funções eletrônicas integradas de alta velocidade. A aplicação mais imediata da tecnologia é o desenvolvimento de uma forma direta de troca de informações entre as fibras ópticas e os equipamentos eletrônicos que enviam e recebem essas informações. As fibras ópticas são componentes estritamente passivos, responsáveis por transportar a luz na qual as informações estão codificadas. A parte "inteligente" do mecanismo é feita por componentes eletrônicos no interior dos microprocessadores, que trabalham com sinais elétricos. Isto exige um grande aparato de equipamentos capazes de fazer a conversão eletro-óptica na ponta que transmite, e opto-elétrica na ponta que recebe os dados. A incorporação dos cristais semicondutores cristalinos no interior vítreo da fibra óptica permite que os pesquisadores se aproximem da situação ideal na qual, em vez de acoplar a fibra óptica a um chip, a própria "fibra óptica inteligente" desempenharia funções eletrônicas.

Rede óptica só de fibras

Os pesquisadores das universidades da Pensilvânia (EUA) e Southampton (Reino Unido) afirmam que isso elimina também problemas bem mais prosaicos no acoplamento opto-elétrico: o fato de que a fibra óptica é cilíndrica, enquanto os chips são planares e muito finos. Usando técnicas químicas de alta pressão, o grupo desenvolveu uma forma de depositar os materiais semicondutores, camada por camada, diretamente no interior de minúsculos buracos no material vítreo da fibra óptica. Isto cria os transistores necessários para fazer o processamento eletrônico ativo. Como não é necessário construir o chip inteiro dentro da fibra óptica - basta construir alguns poucos transistores necessários para a conversão dos sinais ópticos em sinais elétricos - o processo não exige os grandes equipamentos e as salas limpas necessárias à fabricação dos processadores. Para Pier Sazio, um dos membros da equipe, um dos objetivos a ser atingido pelo trabalho da equipe é a construção de redes ópticas de transmissão de dados usando unicamente fibras: "Se o sinal nunca deixar a fibra, então a rede será mais rápida, mais barata e mais eficiente."

Aplicações

Mas a tecnologia tem outras aplicações além da transmissão de dados. "Por exemplo, nosso trabalho representa uma abordagem diferente para fabricar junções semicondutoras, que nós estamos tentando usar como células solares," disse o Dr. John Badding, que apresentou os primeiros resultados na área há cerca de um ano, quando materiais semicondutores foram incorporados em uma fibra óptica.Outras aplicações incluem novas formas de geração e aplicação dos raios laser e sensores menores e mais precisos.

Fonte: Inovação Tecnológica